terça-feira, 3 de julho de 2012

Têm muito medo de saber qual a vontade do povo

Têm muito medo de saber qual a vontade do povo

"Presidente da Câmara falta a compromisso aprovado

A proposta para a pronúncia sobre a extinção das freguesias de Carvalhal de Vermilhas e de Fornelo do Monte foi apresentada pelo presidente da Junta de Figueiredo das Donas (PSD) no período antes da ordem do dia o que é manifestamente ilegal, já que não existia qualquer ponto específico na ordem de trabalhos para esse efeito.

O PSD conseguiu impor o voto secreto como forma de decisão, o que revela uma enorme falta de coragem em assumir esta proposta. Contudo, saiu-lhe furada a intenção de fazer com que a responsabilidade pela aprovação da extinção daquelas freguesias saísse diluída. De facto, os deputados do Partido Socialista declaram que eram contra a proposta, que recusavam o voto secreto e que, para que ficasse claro quem eram os responsáveis pela aprovação da proposta de extinção das freguesias, abandonaram a sala no momento da votação.

O que se passou nesta Assembleia foi um golpe rasteiro que pretendeu esvaziar, de forma ilegal, a discussão e aprovação de um referendo local, cuja discussão fazia parte da ordem de trabalhos desta Assembleia por proposta da Câmara, evitando assim envolver os munícipes neste debate e dar ao povo a capacidade de decidir sobre o sentido do parecer a dar pela AM sobre a reforma administrativa.

Falhou também o presidente da Câmara Municipal que não cumpriu uma decisão tomada por unanimidade pelo executivo camarário de levar à Assembleia a proposta de referendo com pergunta concreta a ser feita pelo Gabinete Jurídico da CM. O presidente da Câmara escusou-se a fazê-lo e não apresentou a proposta de pergunta. Percebe-se, agora, qual foi a intenção de não aprovar a pergunta na reunião de Câmara. O presidente não cumpriu os seus compromissos e tomou uma atitude desleal e anti-democrática.

Este processo de atropelo à democracia foi um golpe rasteiro, uma tremenda falta de solidariedade entre freguesias e uma ilegalidade que será objecto de impugnação.

Golpe rasteiro porque não houve discussão prévia junto das populações atingidas nem entre os autarcas das respectivas Assembleias de Freguesia, tendo esta manobra do PSD procurado condicionar a AM, os vereadores e os deputados municipais.

Falta de solidariedade porque foi proposto por um presidente de Junta que julga poder salvar a sua freguesia à custa da extinção das outras que, por serem as mais afastadas da sede do concelho e com piores acessibilidades, até serão as que mais se justifica serem freguesias.

Atropelo à democracia porque tudo foi feito nas costas das populações atingidas sem que estas fossem consultadas. O PSD nunca colocou a extinção de freguesias no seu programa eleitoral, nem alguma vez expôs esta sua proposta aos munícipes. Será que as populações de Carvalhal de Vermilhas e de Fornelo do Monte teriam votado no PSD se soubessem que queriam a liquidação das suas freguesias?

Vouzela, 29 de Junho de 2012
Maria do Carmo Bica
(vereadora independente eleita pelo Partido Socialista)"- in Facebook

quarta-feira, 27 de junho de 2012

RELATÓRIO DE ATIVIDADES - Escola Profissional de Salvaterra de Magos

RELATÓRIO DE ATIVIDADES   
Faço nota deste relatório de atividades da Escola Profissional de Salvaterra de Magos, agora terminado o ano lectivo, destacando o esforço e empenho de toda a comunidade educativa, especialmente dos professores e alunos, que de uma forma exemplar se dedicaram, elevando bem alto o nome da EPSM e do nosso concelho.
Durante o corrente ano letivo a EPSM assinalou com diversas atividades, algumas datas relevantes:
- São Martinho
- Halloween
- Natal (encerramento do 1º período)
- Carnaval (cobertura media do Carnaval de Marinhais 2012)
- Páscoa (encerramento do 2º período)
- Dia Mundial dos Direitos do Consumidor
- Dia do Não Fumador
Decorreram ainda, durante o ano letivo 2011/2012, diversos concursos e projetos em que os alunos da escola estiveram envolvidos:
- Programa Leonardo da Vinci – Parcerias (intercâmbio de alunos e professores do Curso de Hotelaria e Restauração entre diversas escolas da UE com o objetivo de elaborar um projeto alusivo ao tema: “Food habits change – WHY?”, tendo a EPSM alcançado o 1º lugar num Concurso Europeu de Degustação, na Turquia)
- A nível do Desporto Escolar, a EPSM participou em vários campeonatos (corta-mato, futsal masculino e feminino e compal air), tendo conseguido o o 2º lugar no Compal Air e o 3º no Futsal Masculino.
- As turmas de 12º ano de Contabilidade, Informática e Eletrónica estiveram empenhadas no Projeto Inova – Jovens Criativos, empreendedores para o séc. XXI, com o qual se pretendia desenvolver um ambiente propício à inovação e à criatividade; fomentar, nos jovens, a capacidade analítica e o espírito crítico em contexto de deteção de oportunidades de negócio; incentivar os jovens para a assunção do risco; proporcionar a experiência de participação num concurso/competição e premiar e divulgar as ideias mais inovadoras.
- As turmas de Eletrónica da escola participaram durante todo o ano no Projeto Fundação Ilídio Pinho “Ciência na Escola”, no qual serão premiados os projetos que integrem uma visão multidisciplinar e que valorizem os recursos naturais e locais para solução de problemas concretos, encontrando-se a aguardar a decisão do júri.
- Durante o 2º e 3º períodos, o 11º ano de Comunicação – Marketing, Relações Públicas e Publicidade participou no Concurso para elaboração da bandeira do “Escolas amigas da água”, projeto desenvolvido em parceria com a Águas do Algarve, a Águas de Coimbra, a Águas do Ribatejo e a Quercus, arrecadando o 1º prémio. Neste projeto, participaram 1150 alunos de 24 estabelecimentos de ensino. A cerimónia de premiação realizar-se-á dia 14 de junho no Auditório da EPSM.
- A escola participou no Projeto “Ruas da Lezíria”, tendo alcançado o 1º prémio, num concurso em que se pretendia fomentar a cidadania ativa através da participação no conhecimento e compreensão da realidade mais próxima; conhecer e valorizar aspetos históricos, patrimoniais, económicos e sociais do local onde residem; reconhecer e reforçar a capacidade interventiva individual e coletiva dos jovens; incentivar a partilha e a troca de experiências entre alunos e escolas da Lezíria do Tejo e promover a identidade cultural no âmbito do território da Lezíria do Tejo.
- Em abril, as turmas de Eletrónica, Automação e Comando participaram no Projeto Nacional de Robots “Robotop 2012”, elaborando protótipos específicos de busca e salvamento e seguimento de linha junior.
- Em junho de 2012, os alunos de Eletrónica, Automação e Comando participaram com 3 projetos no 20º concurso de jovens cientistas e investigadores, organizado pela Fundação da Juventude com o objetivo de promover os ideais da cooperação e do intercâmbio entre jovens cientistas e investigadores e estimular o aparecimento de jovens talentos nas áreas da Ciência, Tecnologia, Investigação e Inovação.
- A EPSM esteve também presente na Feira Nacional da Agricultura 2012, apresentando diversos trabalhos, desde a Hotelaria à Eletrónica.
Foram também diversas as atividades organizadas pelos alunos e professores da EPSM:
- No mês de dezembro, os 10º anos da EPSM realizaram uma atividade subordinada ao tema “Os jovens e a sexualidade”
- Em março os 11º anos comemoraram o dia do π
- Em abril decorreram as Jornadas de Formação, que envolveram toda a comunidade escolar numa semana de atividades multidisciplinares
- Em abril teve ainda lugar o Colóquio “Uso racional da água”, organizado pelas turmas de 11º ano
- Durante o ano letivo decorreram ainda diversas visitas de estudo integradas nos programas disciplinares.

Luís Gomes

Salvaterra de Magos, 22 de Junho de 2012

Declaração politica

Intervenção do vereador Luís Gomes na reunião de Câmara.

O PS de Salvaterra de Magos tem afirmado que está contra a lei de extinção de freguesias aprovada pelo PSD/CDS e considera-a antidemocrática. Porém, foi o primeiro em todo o país a apresentar numa Assembleia Municipal uma proposta para aplicação da mesma lei.
Está contra a lei e considera-a antidemocrática, mas quer ser o primeiro a comprometer um município a aplicá-la, procurando minar a unidade e a solidariedade do município na defesa de todas as freguesias.
Recusou que a população do concelho de Salvaterra de Magos se pronunciasse sobre o assunto, votou contra uma proposta de realização de um referendo local e adiantou já que quer a extinção da freguesia do Granho, uma das mais afastadas da sede do município, com mais características rurais e com menos serviços públicos, precisamente uma das que mais se justifica ser freguesia.
Para além de ser uma espécie de batedor do ministro Miguel Relvas para a aplicação no concelho da lei de extinção de freguesias, aliás, fomos motivo de destaque esta semana na Assembleia da República, pelo referido ministro, ter destacado o nosso concelho como o primeiro a aplicar a lei, ficamos todos gratos ao PS, que, demonstra uma total falta coerência.
Na assembleia da república o PS, PCP e BLOCO de ESQUERDA recusaram participar na comissão liquidatária das freguesias (Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa, junto da Assembleia a República). PSD e CDS serão os únicos partidos a integrar a unidade técnica que avaliará as propostas dos municípios quanto à anunciada extinção de freguesias, em Salvaterra de Magos o PS aplica a lei.
Tal como a própria Associação Nacional de Freguesias – Anafre, fizera, PS, PCP e Bloco recusaram participar no processo. Carlos Zorrinho, líder do grupo parlamentar socialista, refere que "o processo de constituição da referida Unidade Técnica está inquinado, assegurando que os socialistas não indicarão qualquer nome por discordar da metodologia e da solução adotada”. Luís Fazenda, do BE, alegou "coerência" e a "rejeição do processo liquidatário de freguesias" para negar a participação, no entanto, em Salvaterra de Magos temos um PS a aplicar a lei.
Mais grave, é um PS, que não sabe, ou finge não saber, aplicar a lei e quer impô-la contra a vontade das populações.
A proposta que o PS apresentou na Assembleia Municipal é ilegal, tecnicamente errada e não tem qualquer viabilidade. Procura convencer as populações que é possível aplicar a lei sacrificando uma freguesia, a do Granho, para salvar as restantes, mas trata-se de uma aplicação da lei completamente falsa. Intencionalmente ou por incompetência, o PS está a vender uma ilusão, um verdadeiro embuste, e as razões são as seguintes:

a)    Os lugares contíguos que abrangem mais do que uma freguesia estão definidos na lei (Anexo II) que não permite que freguesias passem a não urbanas por descontinuidade geográfica entre os lugares urbanos. Só é permitida essa passagem se fundamentada nos critérios do nº 4 do art.º 5º que não inclui a descontinuidade geográfica. Portanto, dizer que Marinhais e Glória do Ribatejo podem ser consideradas como não situadas em lugar urbano “pois não existe contiguidade entre eles” é um erro e uma falsidade.

b)    A lei exige que a proposta de passagem de freguesia urbana a não urbana seja fundamentada nos termos do nº 4 do art.º 5º. Ora, a proposta do PS não indica um único fundamento para esse efeito, tornando-a absolutamente ilegal e não credível. Mais uma vez o PS mente e cria uma autêntica mistificação sobre a possibilidade das freguesias de Foros de Salvaterra e de Glória do Ribatejo não serem consideradas urbanas.

c)    De acordo com as alíneas anteriores, dizer como o PS diz que no concelho poderão ser consideradas 5 freguesias não urbanas e apenas uma urbana, deduzindo-se daí que “bastaria extinguir uma para salvar as restantes”, não tem qualquer sustentação numa análise minimamente atenta da lei. Não é verdade e só pode ter como objetivo desmobilizar a luta de todos contra a extinção de qualquer uma das nossas freguesias, procurando obter ganhos partidários.

d)    É preciso ser verdadeiro e falar claro à população do concelho de Salvaterra de Magos: quem estiver de acordo com a aplicação da lei terá de indicar pelo menos 2 freguesias a abater. O PS já indicou a freguesia do Granho, terá agora de dizer qual a segunda freguesia que vai querer eliminar.
O Bloco comprometeu-se a lutar até ao fim por todas as freguesias, sem ceder às chantagens que o governo colocou na lei para obrigar os municípios a fazer o trabalho sujo de indicar as freguesias para extinção. O governo que o faça, sabendo-se agora que em Salvaterra terá a colaboração de um PS rendido à aplicação da lei de extinção de freguesias, à politiquice e aos meros interesses partidários.
Há ainda muito tempo, até 14 de Outubro, para que a Assembleia Municipal se pronuncie sobre se está de acordo ou não com a aplicação da lei, mas o PS é “mais papista que o Papa” e quis comprometer já o município, na última assembleia Municipal, com a extinção da freguesia do Granho.
Não quer ouvir as populações das várias freguesias, não quer contribuir para a defesa solidária de todas as freguesias e não tem qualquer pudor em atacar a população do Granho e a sua freguesia. É uma manobra partidária lamentável e mesquinha que tem como único objetivo tentar ficar com o maior número de presidências de freguesias no município de Salvaterra de Magos.
Levou, inclusivamente, os presidentes de Junta de Freguesia do PS a contradizerem-se publicamente. Todos subscreveram e foram entregar na Assembleia da República uma Petição com perto de cinco mil assinaturas para que sejam mantidas as seis freguesias. Passadas algumas semanas dessa iniciativa tiveram de votar, na última Assembleia Municipal, a favor da proposta do PS para a extinção da freguesia do Granho, toda ela baseada em erros técnicos e falsidades.
Aprovou diversas moções apresentadas pelo Bloco de Esquerda em Assembleia Municipal, Câmara Municipal e Assembleias de Freguesia, na defesa do referendo local, que permitisse a legitimidade politica e desse voz à população, e na hora decisiva recusa o referendo.
O Bloco de Esquerda considera que a população do nosso concelho merece todo o respeito e lealdade e condena o Partido Socialista por faltar à verdade e não cumprir a sua palavra na consulta da vontade da população.
O Partido Socialista demonstrou mais uma vez a falta de lealdade e honestidade politica ao não aceitar analisar as propostas das restantes forças políticas no seu devido tempo.
O Bloco de Esquerda reforça a sua intenção de apresentar uma solução de pronúncia, dando resposta à lei 22/2012 de extinção/fusão de freguesias, respeitando o seu compromisso com a população do concelho de Salvaterra de Magos.

Luís Gomes

Salvaterra de Magos, 22 de Junho de 2012

Declaração politica - Grécia

Intervenção do vereador Luis Gomes na reunião de camara. 

As eleições Gregas deram a vitória à Nova Democracia, que ganhou as eleições com 29,7% dos votos, seguida da Syriza com 26,9%, do PASOK com 12,3%, dos Gregos Independentes com 7,5%, da Aurora Dourada (neonazis) com 6,9%, da Esquerda Democrática com 6,2% e do Partido Comunista (KKE) com 4,5%.
O Syriza publicou uma curta declaração, afirmando: “Centenas de milhares de pessoas hoje quebraram o medo. A Syriza enviou ao mundo uma forte mensagem contra a política do memorando. A Syriza garante uma forte oposição contra um governo fraco. Não trairemos a confiança do povo grego”, afirma o Syriza.
Syriza insistiu que a única maneira de sair da crise é reverter as medidas de austeridade. E garantiu que se oporá a uma aliança dos poderes do passado, dentro e fora do país. “Começámos a luta para acabar com o plano de resgate.
“Estaremos presentes na oposição, representaremos aqueles que estão contra o memorando” e as políticas de austeridade da União Europeia e do FMI, prometeu Tsipras aquando das suas declarações após saber-se o resultado das eleições.
Os resultados do Syriza “quebram o dogma de que não existe alternativa. Estes resultados foram uma grande vitória da esquerda, o resultado que a Coligação da Esquerda Radical - Syriza obteve nas eleições na Grécia, demonstram um voto de resistência contra a austeridade.
A Europa aproxima-se da hora das grandes decisões. Ou se afunda numa espiral de austeridade, recessão e pobreza que mina (como na década de 1930) os fundamentos da própria democracia. Ou inverte o rumo suicidário e abre um novo ciclo de resgate social, de combate às desigualdades e de desenvolvimento sustentado.
Parabéns, Syriza, pelo teu contributo.                               
Luís Gomes
Salvaterra de Magos, 22 de Junho de 2012

terça-feira, 19 de junho de 2012

PS quer enganar população do Concelho de Salvaterra de Magos e defende a extinção da Freguesia do Granho


O PS de Salvaterra de Magos tem-se afirmado contra a lei de extinção de freguesias aprovada pelo PSD/CDS, considerando-a antidemocrática. Porém, foi o primeiro em todo o país a apresentar numa Assembleia Municipal uma proposta para aplicação daquela mesma lei.

Diz ser contra a lei e considera-a antidemocrática, mas quer ser o primeiro a comprometer um município a aplicá-la, procurando minar a unidade e a solidariedade do município na defesa de todas as freguesias.

O PS recusou que a população do concelho de Salvaterra de Magos se pronunciasse sobre o assunto e votou contra uma proposta de realização de um referendo local. Mas defendeu logo a extinção da freguesia do Granho, uma das mais afastadas da sede do município, com mais características rurais e com menos serviços públicos, precisamente uma das que mais se justifica ser freguesia.

Para além de ser uma espécie de batedor do ministro Miguel Relvas para a aplicação no concelho da lei PSD de extinção de freguesias, o PS não sabe, ou finge não saber, aplicar o que a lei quer impor contra as populações.

A proposta que o PS apresentou na Assembleia Municipal é ilegal, tecnicamente errada e não tem qualquer viabilidade. Procura convencer as populações que é possível aplicar a lei sacrificando uma freguesia, a do Granho, para salvar as restantes, mas trata-se de uma aplicação da lei completamente falsa. Intencionalmente ou por incompetência, o PS está a vender uma ilusão, um verdadeiro embuste, por várias razões.

Os lugares contíguos que abrangem mais do que uma freguesia estão definidos na lei, que não permite que freguesias passem a não urbanas por alegada descontinuidade geográfica entre os lugares urbanos. Só é permitida essa passagem se fundamentada em critérios precisos também indicados na lei --- que não incluem a descontinuidade geográfica. Portanto, dizer que Marinhais e Glória do Ribatejo podem ser consideradas como não situadas em lugar urbano “pois não existe contiguidade entre eles” é um erro e uma falsidade.

A lei exige que a proposta de passagem de freguesia urbana a não urbana seja fundamentada em termos muito precisos. Ora, a proposta do PS não indica um único fundamento para esse efeito, tornando-a absolutamente ilegal e não credível. Mais uma vez o PS mente e cria uma autêntica mistificação sobre a possibilidade das freguesias de Foros de Salvaterra e de Glória do Ribatejo não serem consideradas urbanas.

Portanto, dizer como o PS diz que no concelho poderão ser consideradas 5 freguesias não urbanas e apenas uma urbana, deduzindo-se daí que “bastaria extinguir uma para salvar as restantes”, não tem qualquer sustentação numa análise minimamente atenta da lei. Não é verdade e só pode ter como objetivo desmobilizar a luta de todos contra a extinção de qualquer uma das nossas freguesias, procurando obter ganhos partidários.

É preciso ser verdadeiro e falar claro à população do concelho de Salvaterra de Magos: quem estiver de acordo com a aplicação da lei terá de indicar pelo menos 2 freguesias a abater. O PS já indicou a freguesia do Granho, terá agora de dizer qual a segunda freguesia que vai querer eliminar.

O Bloco comprometeu-se a lutar até ao fim por todas as freguesias, sem ceder às chantagens que o governo do PSD colocou na lei, para obrigar os municípios a fazer o trabalho sujo de indicar as freguesias para extinção. O governo que o faça, sabendo-se agora que em Salvaterra terá a colaboração de um PS rendido à aplicação da lei de extinção de freguesias, à politiquice rasteira e aos meros interesses partidários.

Há ainda muito tempo, até meados de Outubro, para que a Assembleia Municipal se pronuncie sobre se está de acordo ou não com a aplicação da lei. Mas o PS é “mais papista que o Papa” e quis comprometer já o município, na última Assembleia Municipal, com a extinção da freguesia do Granho.

O PS não quer ouvir as populações das várias freguesias, não quer contribuir para a defesa solidária de todas as freguesias e não tem qualquer pudor em atacar a população do Granho e a sua freguesia. É uma manobra partidária lamentável e mesquinha, um golpe com o único objetivo de tentar ficar com o maior número de presidências de freguesias no município de Salvaterra de Magos.

Levou, inclusivamente, os presidentes de Junta de Freguesia do PS a contradizerem-se publicamente. Primeiro, todos subscreveram e entregaram na Assembleia da República uma Petição com perto de cinco mil assinaturas, em defesa da manutenção de todas as seis freguesias do concelho. Poucas semanas depois, na última Assembleia Municipal, votaram a proposta PS de extinção da freguesia do Granho, uma proposta toda ela baseada em erros técnicos e falsidades.

O Bloco de Esquerda considera que a população do nosso concelho merece todo o respeito e lealdade e condena o Partido Socialista por faltar à verdade e não cumprir a sua palavra na consulta da vontade da população.

O Partido Socialista demonstrou mais uma vez a falta de lealdade e honestidade politica ao não aceitar analisar as propostas das restantes forças políticas, no seu devido tempo.

O Bloco de Esquerda reforça a sua intenção de apresentar uma solução de pronúncia, dando resposta à lei 22/2012 de extinção/fusão de freguesias, respeitando o seu compromisso com a população do concelho de Salvaterra de Magos.

Salvaterra de Magos, 18 de Junho de 2012      
                                                                 Bloco de Esquerda de Salvaterra de Magos         

domingo, 17 de junho de 2012

conferência de imprensa - reorganização administrativa territorial autárquica (Lei 22/2012)


O Bloco de Esquerda de Salvaterra de Magos vai organizar na próxima segunda feira (18 de junho / 18h30m), uma conferência de imprensa para abordar os recentes desenvolvimentos sobre o processo da reorganização administrativa territorial autárquica (Lei 22/2012) - que exige a redução do número das freguesias.
Por iniciativa do Partido Socialista, a Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos foi das primeiras a nível nacional a acatar a reorganização administrativa territorial autárquica, tendo como consequência a indicação de que a freguesia menos populosa do concelho de Salvaterra de Magos, o Granho, seja reagrupada a uma das seguintes freguesias: Marinhais Muge, ou Glória do Ribatejo.

Assim, o Bloco de Esquerda promove esta conferência de imprensa no Salão da Junta de Freguesia do Granho, com a presença de Presidentes de Junta, Presidente do Município e líder da Bancada do BE na Assembleia Municipal.             

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Recordar a luta do proletariado agrícola pelas 8 horas

Comemora-se este ano o 50º aniversário da conquista da jornada de trabalho de 8 horas, pelos trabalhadores agrícolas.
Foi no mês de Maio de 1962 que mais de cem mil trabalhadores rurais do Alentejo e do Ribatejo, depois de terem recorrido à greve, puseram fim ao horário de trabalho medieval de “sol a sol” que vigorava nos campos.
Enquanto os trabalhadores da indústria e do comércio tinham conquistado o horário de trabalho de 8 horas em Maio de 1919, na I República, os trabalhadores do campo só em 1962, durante o regime fascista, alcançaram esse objetivo.
Essa vitória histórica do proletariado alentejano e ribatejano está estritamente ligada às jornadas comemorativas do 1º Maio, Dia Mundial do Trabalhador, que no ano de 1962 atingiram um dos pontos mais altos na luta contra o fascismo.
A limitação legal da jornada de trabalho foi considerada, desde 1886, como a condição preliminar para o êxito de todos os outros esforços visando a emancipação dos trabalhadores. E essa luta foi, juntamente com a luta pelo salário, o objetivo principal das lutas operárias dos últimos 120 anos. Aliás, a luta pelo salário e pelo horário acompanham os sindicatos desde o seu nascimento. Esse objetivo mantém ainda hoje toda a sua atualidade, assim dita a politica deste governo e da troika.

Luís Gomes
Salvaterra de Magos, 13 de Junho de 2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012

EM DEFESA DE TODAS AS FREGUESIAS – CONSULTAR AS POPULAÇÕES

Intervenção do vereador Luís Gomes, realizada na reunião de Câmara de dia 13 de Junho
A determinação do Bloco é a de lutar pelas freguesias do município de Salvaterra de Magos e pela atual configuração da divisão administrativa do território, considerada por todas as forças políticas representadas na autarquia como ajustada à presente realidade geográfica e a mais equilibrada.
Perante a publicação da Lei 22/2012 de extinção/fusão de freguesias, com cujos critérios discordamos abertamente, consideramos que só a consulta às populações poderá conferir legitimidade política para que os órgãos autárquicos se pronunciem em definitivo sobre a chamada “reorganização administrativa”.
A população deve ser consultada por dois motivos principais. Primeiro, porque os cidadãos não podem deixar de ser envolvidos num debate que os afeta diretamente. E segundo, porque nenhuma das forças políticas com assento na Câmara e na Assembleia Municipal tinham nos seus programas eleitorais qualquer proposta que levasse à extinção de freguesias.
Assim, face às imposições da lei, é preciso que esse debate se faça agora, através do instrumento legal de consulta popular que é a Referendo Local, já que não foi feito nas eleições autárquicas. Nós não fugimos desse debate, antes pelo contrário, temos vindo a promovê-lo. Esperamos que as restantes forças políticas tenham a mesma atitude de querer ouvir as populações, responsabilizarem-se perante elas e sujeitarem as suas propostas ao voto dos eleitores do município de Salvaterra de Magos.
Os nossos desígnios são muito claros:
Primeiro, fazer o referendo local e conhecer o veredicto dos cidadãos sobre se concordam ou não com a agregação, extinção ou fusão de qualquer uma das freguesias.
Segundo, na sequência do referendo e dentro dos prazos permitidos pela lei, promover na Assembleia Municipal o debate entre as várias propostas para as freguesias e elaborar uma pronúncia a enviar à Assembleia da República.
Há tempo para estes dois momentos, não precisamos de precipitações em matéria tão sensível e que mexe tão profundamente com a identidade e os interesses das populações de cada uma  e de todas as freguesias.
Confrontados com diversas e discordantes posições do PS, nomeadamente do PS Nacional, do PS local, do Vereador Hélder Esménio e do Vereador Rui Simões, temos assistido essencialmente a um mau serviço prestado ao nosso concelho, especialmente porque estamos a tratar de uma matéria crucial para o garante de um pilar fundamental da nossa sociedade, a defesa da democracia local.
Colocar em causa a bondade da realização de um referendo local em Salvaterra de Magos quanto à extinção e fusão de freguesias quando, até à presente data, sempre se pronunciaram a favor da consulta das populações, é no mínimo, nocivo para a democracia local.
Por questões de justiça é sempre bom relembrar que o Bloco de Esquerda está desde o primeiro segundo, na unidade e longe de querelas partidárias, empenhado na defesa de todas as freguesias! Através da apresentação de diversas moções na AM e CM, propostas de iniciativas na AM com a presença de todos os partidos, sessões públicas em todas as freguesias, concentrações populares, petição unitária de todas as freguesias que permitiu reunir mais de 4.000 assinaturas, suficientes para submeter a debate na AR, carta com posição conjunta de todos os presidentes de Junta de Freguesia e, conforme defendemos desde o inicio, a realização de um referendo local, sempre com o mesmo lema: todos juntos pela defesa de todas as freguesias!
A pergunta necessária é óbvia: o que foi promovido pelas restantes forças políticas do nosso concelho para a defesa das nossas freguesias?
Antes de mais, há que esclarecer os munícipes de Salvaterra de Magos sobre a postura do PS nesta matéria:
1 – Ainda no Governo liderado por José Sócrates, e muito antes de se pensar em recorrer à ajuda externa, José Junqueiro, empossado de Secretário de Estado da Administração Local, já vinha anunciando publicamente um plano para uma grande redução do número de freguesias.
2 – Foi o Partido Socialista que na negociação do memorando de entendimento com a troika consentiu que se colocasse como objectivo a atingir no cumprimento do mesmo, a redução substancial do número de autarquias locais.
3 – No âmbito do processo legislativo que originou a Lei n.º 22/2012, de 30 de Maio, o Partido Socialista não apresentou qualquer iniciativa alternativa, nem uma única proposta de alteração na especialidade à Proposta de Lei do Governo.
4 – Diga-se claramente e sem distorções que, o único partido que esboçou uma solução alternativa foi o Bloco de Esquerda, com a apresentação da iniciativa legislativa que visava a realização de referendos locais obrigatórios e vinculativos para a criação, extinção e fusão de autarquias locais. E o Partido Socialista, o que fez? Prontamente votaram contra esta iniciativa ao lado do PSD e do CDS.
5 – Assim, o Partido Socialista não só é desprovido de soluções, como também, mais que parte do problema, faz parte da origem do problema!
Dito isto, vejamos a problemática de Salvaterra de Magos, em concreto:
Com atrevimento, o Vereador Hélder Esménio veio insinuar que com este referendo local o Bloco de Esquerda pretende afinal, evitar qualquer pronúncia da Assembleia Municipal e, com isso, sugerir que o BE pretende reduzir ao máximo o número de freguesias em Salvaterra de Magos! Que desfaçatez Sr. Vereador, em política não vale tudo!
E mais, face à pergunta para o referendo local, sugerida pelo Bloco de Esquerda, aponta, três erros:
“Erro 1 do BE) A Lei fala em pronúncia da Assembleia Municipal, não há pronúncias a favor ou contra. Ou os deputados se pronunciam ou os deputados não se pronunciam.”
Este é um argumento falacioso: nos termos da lei, a Assembleia Municipal pode não se pronunciar - artigo 14.º, n.º 1, alínea b) da Lei n.º 22/2012, de 30 de Maio -, ou a Assembleia Municipal pode pronunciar-se contra a extinção de qualquer freguesia, nos termos do artigo 14.º, n.º 2 da Lei n.º 22/2012, de 30 de Maio (o que sucederá é que a pronúncia será desconforme, nos termos do artigo 15.º, n.º 1 da Lei n.º 22/2012, de 30 de Maio.
De qualquer modo, o Bloco defenderá que a Assembleia se pronuncie, nos termos que entender mais convenientes, depois da realização do referendo.
 “Erro 2 do BE) Não são os deputados municipais que promovem a agregação ou a extinção de freguesias nos seus concelhos. É a Lei 22/2012 que o promove, que o exige. Tanto é assim que pronunciem-se ou não os deputados municipais as freguesias serão unidas por decisão da Assembleia da República. O que se quer dos nossos representantes na Assembleia Municipal é que eles indiquem uma solução que permita manter 4 freguesias.”
Mais um engano falacioso, pois o artigo 11.º, n.º 1 da Lei n.º 22/2012, de 30 de Maio, prevê a competência das Assembleias Municipais: a assembleia municipal delibera sobre a reorganização administrativa do território das freguesias”.
A lei exige a extinção de freguesias, mas não obriga, porque não pode, tendo em conta a autonomia do poder local, a que a autarquia se envolva no processo. Realmente é a AR que decidirá. Contudo, caberá à autarquia, querendo, pronunciar-se, apenas, se essa pronúncia é ou não favorável a uma reorganização segundo os critérios da lei. Sobre essa decisão acerca do sentido da pronúncia, nós vamos chamar as populações a decidirem em referendo.
“Erro 3 do BE) O BE, com esta questão, nem sequer cumpre o nº 2 do artº 7º da Lei Orgânica 4/2000 (lei dos referendos locais).
A pergunta do BE – ao contrário do que diz aquele artigo - não é formulada com precisão como evidenciámos com os erros que lhe apontamos. A pergunta do BE sugere indiretamente – e não devia – o sentido da resposta – votem NÃO - quando responsabiliza as Assembleias Municipais que se pronunciem pela promoção da agregação, da fusão ou da extinção de freguesias.”
Como diz o nosso Povo, “pior que o cego, é aquele que não quer ver”.
A pergunta é clara, objetiva e cumpre os preceitos constitucionais e legais. Mas nós estamos abertos a que o PS formule uma pergunta para o referendo ainda mais clara e objetiva. Aguardaremos até à próxima AM por essa proposta do PS.
Sobre o sentido da pronúncia da AM que o PS precipita agora, tomamos nota e vamos querer debatê-la, mas entendemos que é extemporâneo sem que a população se tivesse podido pronunciar através do referendo local. Nesta AM votamos o referendo e chamamos a população a debater e a pronunciar-se. A seguir discutiremos todas as propostas de pronúncia que surgirem - o Bloco terá a sua - e votaremos. A lei prevê para esse efeito 90 dias. Se lhes juntarmos as férias judiciais que interrompem os prazos, temos até meados de Outubro para emitir a pronúncia. Por que razão vamos precipitar essa decisão a 15 dias da publicação da lei? Vamos fazer esse debate com todos e não deixaremos de ter tempo para que a AM volte a reunir e a tomar posição sobre a pronúncia, de forma ponderada e sem precipitações.
O Bloco de Esquerda afirma com clareza:
1 – Se os cidadãos quiserem que a Assembleia Municipal se pronuncie no sentido previsto na lei, tem uma boa solução: votar sim no referendo, sendo o Partido Socialista livre de fazer tal apelo à população.
2 – Nenhuma força política na Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos está politicamente legitimada para se pronunciar sobre a extinção ou fusão de qualquer freguesia, pois nenhuma o afirmou na campanha eleitoral. Por isso, e consciente da limitação política do mandato representativo, e da necessidade de se devolver a voz ao Povo, o Bloco de Esquerda, com humildade democrática e respeito pelas populações, lhes devolve por esta via, a decisão.
3 – O Bloco de Esquerda, em consequência, recusa tomar qualquer decisão sem a legitimidade política, que será definida pelo resultado do referendo local.
E agora, o Bloco de Esquerda questiona: admitindo que o Partido Socialista pretende levar a cabo uma pronúncia de acordo com os critérios da lei, quais são as freguesias que pretende extinguir? Já foi informar ou já consultou a população dessas freguesias disso? É que, nesta matéria, devemos todos ser transparentes.
Por fim, reitero:
·         O Bloco é contra a extinção de qualquer uma das freguesias do concelho de Salvaterra de Magos;
·         A nossa proposta de referendo não coloca em causa a nossa posição, que defendemos caso o referendo seja convocado: somos contra, mas somos contra a extinção de qualquer uma das freguesias em Salvaterra e não de apenas algumas, como o PS tem vindo a sugerir.
·         Quem parece estar com graves dúvidas existenciais é o PS de Salvaterra e não o Bloco que, muito antes do PS acordar para o problema, já estava a fazer plenários em todas as freguesias a alertar as populações contra a extinção/fusão de freguesias.
·         O BE quer consultar as populações por considerar que nenhuma força política concelhia tem legitimidade para defender que a freguesia A ou B seja extinta, e obviamente, respeitará escrupulosamente o resultado desse referendo.
·         Neste referendo o que se está a tratar é da decisão sobre a pronúncia da AM, ou seja, se a autarquia concorda ou não com a extinção/fusão de freguesias. E para mais a autarquia não tem competências, porque a lei não lhas quis dar. Quanto ao resto, a jusante, será da estrita responsabilidade do governo e dos partidos maioritários na AR.
·         Na próxima AM, já amanhã, é chegado o momento da defesa da audição das populações sobre a modificação, extinção, fusão e alteração territorial das autarquias locais, através de referendo, chegou o momento das decisões, vamos aguardar pela responsabilidade e coerência de todas e todos.
Luís Gomes
Salvaterra de Magos, 13 de Junho de 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Projecto de Deliberação para a Realização de Referendo Local



O Bloco de Esquerda de Salvaterra de Magos apresenta hoje um requerimento a solicitar a convocação de uma Assembleia Municipal extraordinária (a realizar no prazo de 15 dias - conforme previsto na legislação em vigor) a fim de aprovar a realização de um referendo local, bem como da proposta de pergunta a referendar


Projecto de Deliberação

Projecto de Deliberação para a Realização de Referendo Local relativamente à pronúncia da Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos sobre a reorganização territorial autárquica a efetuar nos termos do artigo 11.º, n.º 1 e n.º 3 da Lei n.º 22/2012 de 30 de Maio.

Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos

Os deputados municipais, eleitos pela BE para a Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos, ao abrigo do disposto no artigo 10.º, n.º 1 da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto vêm apresentar Projecto de Deliberação para a Realização de Referendo Local relativamente à pronúncia da Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos sobre a reorganização territorial autárquica a efetuar nos termos do artigo 11.º, n.º 1 e n.º 3 da Lei n.º 22/2012 de 30 de Maio.

Para tanto requerem a Vossa Excelência a convocação de sessão ordinária ou extraordinária da Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos, no prazo de 15 dias após o exercício ou receção da iniciativa referendária, para deliberação sobre a mesma artigo 24.º, n.º 1 da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto).

Nota Justificativa
Considerando que:
1 - Foi publicada a Lei n.º 22/2012 de 30 de Maio, conferindo competência às Assembleias Municipais para se pronunciarem sobre a reorganização administrativa do território das freguesias (artigo 11.º, n.º 1 e n.º 4), sendo tal competência exercida nos 90 dias posteriores à entrada em vigor da lei (artigo 12.º).
2 - As divisões administrativas são, por força das dinâmicas económicas e demográficas, mutáveis. No entanto, há que ter consciência da forte e arreigada identidade local de muitas freguesias e municípios do nosso país, com consequências ao nível da própria representação política enquanto comunidade.
3 - A lei que enquadre as dinâmicas da divisão administrativa das autarquias locais, deve garantir uma adequada participação e adesão das populações. Aliás, a história ensina-nos isso com o célebre episódio da Janeirinha, revolta popular vitoriosa em 1868, especialmente direcionada para uma grande redução de freguesias e municípios operada pela Lei da Administração Civil de 1867, também conhecida como Lei Martens Ferrão.

4 - No quadro atual, Portugal é um dos países da União Europeia com maior dimensão média dos Municípios, e quanto a uma eventual classificação do número de freguesias como elevado, há que lembrar que as mesmas apesar de ainda disporem de poucas competências e apenas cerca de 0,1% da despesa inscrita no Orçamento de Estado, têm uma área média idêntica à média dos municípios de vários Estados membros da UE.

5 - A Carta Europeia de Autonomia Local, vem estabelecer no seu artigo 4.º, n.º 6, que As autarquias locais devem ser consultadas, na medida do possível, em tempo útil e de modo adequado, durante o processo de planificação e decisão relativamente a todas as questões que diretamente lhes interessem”.

6 - O artigo 5.º da Carta Europeia de Autonomia Local estabelece a obrigatoriedade de audição das autarquias locais interessadas relativamente a qualquer alteração dos limites territoriais locais, eventualmente por via de referendo, nos casos em que a lei o permita.

7 - A Carta Europeia da Autonomia Local é um tratado internacional que vincula o Estado Português, Cumprindo ao Estado, e às autarquias locais honrar os compromissos internacionais da República Portuguesa, decorrentes do artigo 5.º da Carta Europeia da Autonomia Local, da qual a República Portuguesa é parte, que determina a realização de referendo nestes casos, quando legalmente possível.

8 - A expressão “eventualmente por referendo, quando legalmente admissível” do artigo 5.º da Carta Europeia da Autonomia Local tem de se referir, no que à expressão “legalmente” respeita, à própria abertura constitucional para o efeito, que como abaixo se verá, é clara nesta matéria.
9 - O Tribunal Constitucional considerou já admissível o referendo local nesta matéria - veja-se o teor dos Acórdãos do Tribunal Constitucional n.º 390/98, n.º 113/99, n.º 518/99, que abrem a porta ao referendo local nesta matéria - observados os requisitos legais, e a partir do momento em que a Assembleia da República solicite aos órgãos autárquicos competentes os pareceres que legalmente lhes compitam.

10 – Nem se pode vir invocar a alteração do Regime Jurídico do Referendo Local, ocorrido após a prolação dos acórdãos citados, designadamente a proibição de referendos locais em matéria de reserva de competência legislativa da Assembleia da República (artigo 4.º, n.º 1, alínea a) da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto), uma vez que, este referendo em nada condiciona a atividade desse órgão de soberania, respeita apenas ao exercício de uma competência própria e exclusiva da Assembleia Municipal, nos termos dos artigos 11.º, n.º 1 e n.º 4 da Lei n.º 22/2012 de 30 de Maio.

11 – E muito menos se pode invocar a vinculação das Assembleias Municipais à emissão obrigatória de pronúncia conforme, como motivo de exclusão do recurso ao referendo local nesta matéria (artigo 4.º, n.º 1, alínea b) da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto), visto que a pronúncia não é obrigatória e pode até ser desconforme com os critérios estabelecidos pela lei n.º 22/2012 de 30 de Maio (ver artigo 13.º, n.º 2 e artigo 15.º da Lei n.º 22/2012 de 30 de Maio a contrario sensu).

12 – Aliás, o Professor Doutor Jorge Miranda, em anotação ao artigo 240.º da Constituição da República Portuguesa, in Constituição Portuguesa Anotada, Tomo III, Coimbra Editora, 2007, a páginas 479: “E como a criação ou extinção de municípios, bem como a alteração das respetivas áreas, requer a consulta dos órgãos das autarquias abrangidas (artigo 249.º), nada impede que aí se realizem referendos – vinculativos quanto ao sentido da pronúncia a emitir por esses órgãos (cfr. Artigo 219.º da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto.”.

13 – Assim, a realização de referendos locais sobre esta matéria não resulta numa violação da constituição, antes resulta no seu cabal cumprimento, designadamente das normas de direito internacional vigentes nos termos da Constituição e de carácter supra legal, nos termos do artigo 8.º, n.º 2 da Constituição da República Portuguesa.

14 – Assim, a interpretação do artigo 4.º, n.º 1 alínea a) da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto, no sentido de impedir o recurso ao referendo local quanto a matérias incluídas nas competências próprias dos órgãos das autarquias locais em matéria de criação, extinção e modificação territorial de autarquias locais, seria inconstitucional, o que expressamente se invoca, por violação do artigo 5.º da Carta Europeia da Autonomia Local e, consequentemente, do artigo 8.º, n.º 2 da Constituição da República Portuguesa.

15 – Da mesma forma que a exclusão da sujeição destas matérias a referendo local por força da sua eventual inutilidade, considerando o prazo de 90 dias estabelecido no artigo 12.º da Lei n.º 22/2012 de 30 de Maio, determina a inconstitucionalidade dessa norma, que expressamente se invoca, considerando que a mesma violaria materialmente a sujeição a referendo prevista no artigo 5.º da Carta Europeia da Autonomia Local, esvaziando-a de qualquer efeito, e, consequentemente, violando o artigo 8.º, n.º 2 da Constituição da República Portuguesa.

14 – De resto, o recurso ao referendo nesta matéria encontra sólidos antecedentes na tradição histórica portuguesa, com expressão na I República, com a Lei n.º 621, de 23 de Junho de 1916, que foi, aliás, aplicada em várias situações.

14 - A iniciativa de referendo local compete aos membros do respetivo órgão deliberativo (artigo 10.º, n.º 1 da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto).

15 - Os atos em procedimento de decisão, ainda não definitivamente aprovados, podem constituir objeto de referendo local (artigo 5.º, n.º 1 da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto), suspendendo-se o procedimento até à decisão do Tribunal Constitucional sobre a verificação da constitucionalidade ou legalidade do referendo local, ou, no caso de efetiva realização do referendo, até à publicação do mapa dos resultados do referendo (artigo 5.º, n.º 2 da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto).

16 – Os referendos locais poderão comportar 3 perguntas (artigo 7.º, n.º 1 da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto), não podendo ser realizados simultaneamente mais de um referendo local sobre a mesma matéria (artigo 6.º, n.º 3 da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto).

17 – É assim possível submeter a referendo local a matéria constante da eventual pronúncia da Assembleia Municipal, assegurando a efetiva oportunidade de audição dos cidadãos eleitores e cumprindo-se o comando do artigo 6.º, n.º 3 e 7.º, n.º 1 da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto.

18 – As forças políticas e elementos que integram a Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos, não se pronunciaram, aquando da sua eleição sobre uma eventual reorganização territorial das freguesias, em concreto ou abstrato, carecem de uma inequívoca legitimidade política para decidir nesta matéria.

19 – Um significativo número de cidadãos residentes em Salvaterra de Magos (4277 assinaturas) dirigiu uma petição à Assembleia da República contra a extinção ou fusão de quaisquer freguesias deste município, e defendendo, para o efeito, a realização de referendos locais.

Proposta

 A Assembleia de Municipal de Salvaterra de Magos delibera, nos termos do artigo 23.º da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto aprovar a realização de um referendo local, submetendo ao Tribunal Constitucional a sua fiscalização preventiva, nos termos do artigo 28.º da Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de Agosto, com a seguinte pergunta:

“Concorda que a Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos se pronuncie a favor da reorganização das freguesias integradas no Município Salvaterra de Magos, promovendo a agregação, fusão ou extinção de qualquer uma delas?”



Salvaterra de Magos, 31 de Maio de 2012



Os deputados municipais eleitos pelo Bloco de Esquerda,